Arquivo do mês: junho 2010

Um elefante encanta muita gente,

Dois elefantes encantam muito maais!!
A bola agora está com eles. Como a Cow Parade, que já conhecemos e que acabou de acontecer aqui em São Paulo, Elephant Parade segue o mesmo esquema: esculturas com o formato destes animais são pintadas por artistas conhecidos e novos talentos, com total liberdade criativa e são patrocinadas por empresas, ficam por toda a cidade, (o evento está em Londres até junho) e com um leilão beneficente no dia 03 de julho,  neste caso para salvar os elefantes asiáticos da extinção.
São muito lindos e fofos estes bebês elefantinhos!!
E temos um brasileiro participando, o Cako Martin, criador da vaquinha Cowlorida, ele agora é o autor do elefantinho Colorful hope.

Colorful hope - Cako Martin

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Seleção das artes plásticas no MuBE

Como o assunto do momento é o futebol, o MuBE – Museu Brasileiro da Escultura apresenta uma Mostra relacionada ao tema.
O  Grupo G-Onze, com um time de artistas plásticos inspirado no futebol-arte, preparou uma Exposição que fica em cartaz até o dia 17 de julho e que até 2014 visitará todas as cidades que sediarão a Copa no Brasil.

Nomes de peso no cenário artístico fazem parte desta “Seleção Canarinho das Artes Plásticas”:
Antonio Hélio Cabral, Antonio Peticov, Cláudio Tozzi, Gregório Gruber, Ivald Granato, José Roberto Aguilar,  Jô Soares,  José Zaragoza,  Luiz Áquila, Luiz Baravelli, Tomoshige Kusuno, Zelio Alves Pinto, Roberto Magalhães, Rubens Gerchman (in memorian).

Gregório Gruber - Pacaembu (100 x 140cm - Acrílica sobre Madeira - 2008)

Zélio Alves Pinto - A Meta (100 x 140cm - AST - 2010)

Antonio Peticov - Bicicleta nº 4 (180 x 180cm - AST - 2006)

Luiz Paulo Baravelli - O Que o Goleiro Vê (100 x 140cm - Acrílica sobre Madeira - 2010)


Exposição: Os Onze Fubebol e Arte -África do Sul 2010 X Brasil 2014
Local: MuBE – Museu Brasileiro de Escultura
Av Europa 218 – Jd Europa
até dia 17 de julho de 2010.
Aberto ao público das 10h às 19h.

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Vasos que são obras de arte

Estes vasos estão na Casa Cor no espaço da Neza Cesar.
São da artista Isabelle Tuchband.

Olha este que lindo!!!

E estes estão no livro “Será que sou assim?” uma publicação do multifacetado trabalho de Isabelle Tuchband.

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Com quem você faz par nesta vida?

Assiste este clip da Adriana Calcanhoto e pensa:
Com quem você faz par nesta vida?

***
E lembra de que não é só par romântico.
Contamos as horas pra ver nossos filhos, nossas flores, nossos livros, nossas pinturas, nossos amigos,nossos roteiros de viagem, algo preenche nossa vida: é o nosso par.

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Faz uma pausa e lê este discurso de Saramago

Discurso na Academia Sueca
(ao receber o Prêmio Nobel de Literatura)

José Saramago

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: “José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira”. Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava… No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: “E depois?”. Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: “Não faças caso, em sonhos não há firmeza”.

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

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” Este mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”.

Morreu Saramago. Dia 18 de junho de 2010.
José Saramago, primeiro e único escritor de língua portuguesa que ganhou um prêmio Nobel de literatura. Filho e neto de analfabetos, formado em escola técnica, começou a ficar conhecido com mais de 40 anos; com 60 casou-se com Pilar, 30 anos mais jovem, com quem viveu até hoje.

Escolhi algumas frases dele que gosto muito e uma, a primeira, de sua avó.

” Este mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”.

“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”.

“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”.

“Se podes olhar vê, se podes ver, repara.”

“O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas”.

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Matisse e suas padronagens inspiradoras

A semana da moda aconteceu em São Paulo do dia 08 a 14 de junho.
Pensei em Henri Matisse, artista plástico francês e as “padronagens” de suas pinturas, porque ele tem inspirado tanto artistas visuais quanto estilistas  que usam suas obras como referências para suas criações.
Beatriz Milhazes em suas entrevistas diz que ele é uma de suas influências e Isabela Capeto, inspirada em suas obras, desenvolveu toda uma coleção em 2005.

Estes trabalhos estão no Museu L’ Orangerie em Paris.

Le Nu Rose

Odalisque à la culotte grise (1927)

Odalisque à la culotte rouge (1924-1925)

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