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O RINO ONIR de Daniel Fontoura

Se você ainda não viu os rinocerontes do projeto Rino Mania, vai hoje dia 19 de setembro, eles estão expostos no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) na Av Europa 218, a partir de amanhã eles seguem cada um para um canto da cidade.
Veja as fotos do Rino Onir, de Daniel Fontoura e uma entrevista do artista para a equipe da Duratex.

O que o levou a escolher este tema em um rinoceronte?

O meu rinoceronte se chama ONIR e a idéia de aplicar espelhos que refletissem o público e o local onde ele fosse instalado, juntamente com fotografias de reflexos, surgiu pela vontade de transportar minhas fotografias, e a temática presente nelas, para outro ambiente. Em meus trabalhos busco colocar o observador em meio a um jogo de percepções entre o que é “real” ou não dentro da fotografia, causando uma reflexão sobre a própria natureza ilusória da imagem fotográfica. Elementos reflexivos como espelhos, água, janelas e vidros são recorrentes em meu trabalho.

Como foi pintar o Rino? Aconteceu algum fato inusitado?

Na verdade a única pintura presente no meu rino é a tinta automotiva prata que foi usada como base, por baixo das aplicações de fotografias de minha autoria impressas em vinil adesivo e de poliéster espelhado. Esse projeto foi muito diferente de tudo o que já fiz até hoje, uma vez que foi minha primeira experiência em três dimensões. Do papel para o rino foi muito complicado adaptar as idéias iniciais, as curvas da escultura dificultaram a aplicação dos materiais escolhidos e levei muito mais tempo do que imaginava que precisaria para concluir o ONIR. No final fiquei muito satisfeito com o resultado, e me surpreendi como algumas decisões tomadas instintivamente, simultaneamente ao processo de aplicação, ficaram ainda melhores do que meu projeto inicial.

Tem algo mais, alguma curiosidade para nos contar?

Cada vez que o ONIR for visto ele será diferente para o espectador, pela presença do poliéster espelhado que reflete tudo que está ao seu redor. Dependendo da hora do dia e da posição do observador as informações refletidas nele podem mudar completamente.

 

 

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Arquivado em Entrevistas, Esculturas, Exposições, São Paulo

Entrevista para ler no final de semana – Renzo Piano

Escolhi para o post de hoje uma entrevista com  Renzo Piano.
As entrevistas da Tania Menai são como as obras arquitetônicas do mestre: de uma leveza singular.
Aproveitem!

O Mestre da Leveza

Tania Menai

O jovem italiano Renzo Piano viu seu pai torcer o nariz assim que anunciou sua opção pela arquitetura. Na época, aquela era uma profissão  “menor” comparada ao ofício de sua família: tradicionais construtores genoveses. Hoje, aos 73 anos, Piano é o mestre internacional da leveza e iluminação. Sua genialidade entrou para história na década de 70, quando ele, então com 33 anos e em parceria com Richard Rogers, assinou o Centre Georges Pompidou, que abriga o Museu Nacional de Arte Moderna de Paris. A estrutura, que parece estar do lado avesso, expondo os tubos de água, eletricidade e ar-condicionado, pintados de cores diferentes de acordo com cada função. A escada rolante é externa, com vista para a piazza central.

Desde então, Piano criou dezenas de museus, estádios, complexos culturais, além do aeroporto de Osaka e da Potsdamer Platz, a praça construída sobre o antigo muro de Berlim. Há doze anos Piano é embaixador da Unesco e em 1998 recebeu o Prêmio Pritzker, o ápice da arquitetura, das mãos do ex-presidente Bill Clinton. Entre seus atuais projetos, está o novo prédio do New York Times, em Manhattan. Com 52 andares, a torre foi inaugurada em 2008 na caótica região da Times Square. Com energia juvenil, Piano se divide entre Genova e Paris, onde ficam seus dois escritórios. Em Genova, ele construi sua própria casa, no litoral, mesclando o verde e o vidro. Em Paris ele vive na Place des Voges, numa casa do século XVII, vizinho à Maison Victor Hugo. Piano concedeu esta entrevista exclusiva do escritório parisiense, no belo bairro do Marais.

O senhor diz que “para os arquitetos, museus são as novas catedrais.”  Por quê?

Piano – Quando projetamos o Centre Georges Pompidou, ou Centre Beaubourg como eu ainda o chamo, em Paris, museus eram lugares bastante impopulares. Não que eles não fossem dignificados, mas eram frequentados por especialistas. Eu tinha 33 anos, gostava de arte desde a infância e achava que os museus eram distantes do grande público. O Centre Beaubourg não mudou a história; mas foi uma interpretação da mudança que estava acontecendo na época. Ele mistura diferentes disciplinas culturais, como as artes plásticas, a música e biblioteca pública. Foi uma forma de desmistificar o conceito de museu, de abrí-lo para as massas e criar curiosidade.

Foto Tania Menai

Como foi a reação do público?

Piano – Fomos apedrejados por muito tempo. Diziam que o Centre Beaubourg era um supermarché de l’art (um supermercado da arte). Chamavam-no de fábrica, de refinaria. Mas este era o começo de uma nova era. Depois disso, fiz diversos museus, como Menil Collection, a Fundação Beyeler, em Basel, estamos construindo o novo Museu Paul Klee, em Bern, o High Museum of Art, em Atlanta e ampliando o Instituto de Arte de Chicago. Museus passaram a ser lugares populares. Assim como as catedrais do passado, eles são lugares de rituais – não sob aspecto religioso, mas o da coletividade e convivência. Além da arte, os museus reúnem pessoas – estou muito feliz com isso. Por sinal, estamos encarando o problema oposto: o sucesso dos museus. Pode soar estranho, mas é verdade. Museus devem ser lugar onde apreciamos a arte – para isso, precisamos de serenidade, de calma, de silêncio e contemplação. Com tanta gente, fica impraticável ter alguma calma.

Hoje, o senhor teria feito o Centre Pompidou, ou Centre Beaubourg, da mesma maneira?

Piano – O que faz da arquitetura uma grande profissão é a dependência do contexto, da história, do momento. A arquitetura é fecundada pela sociabilidade. Hoje, ninguém é intimidado por um museu. Do ponto de vista histórico, nos últimos trinta anos, tudo mudou. Museus intimidavam as grandes massas, incluindo o público jovem. Resolvemos provocar, introduzir curiosidade, mais do que intimidação. Hoje, museus são bastante abertos, familiares. Por isso, eu o faria diferente – não sei o quão diferente. Na década de 70, éramos dois jovens irreverentes. Mas ainda hoje me sinto um garotinho. O que conta não é a idade, mas a experiência. A arquitetura é o espelho da realidade, além de ser uma utopia, elemento fundamental para a arquitetura. Esta utopia ainda está presente em todos os meus trabalhos: o sonho de mudar o mundo por meio das nossas realizações. O Beaubourg foi um prédio utópico, de certa forma.

O senhor disse, certa vez, que o público demora a digerir e aceitar novas arquiteturas…

Piano – Arquitetura faz parte dos nossos hábitos. Meu escritório fica aqui no Marais, uma parte bonita de Paris. Adoro este bairro, ando para casa todas as noites e admiro os prédios em volta. Mas quando observo as construções com mais cuidado, dou-me conta de que alguns dos prédios são feios, outros horríveis. Mas eles fazem parte da experiência – amamos prédios antigos. O tempo faz as coisas se tornarem bonitas. Quando um prédio é novo, mesmo que seja magnífico, ainda não foi incorporado aos nossos hábitos. Isso leva uns cinco ou dez anos. No começo, o Beaubourg foi odiado por muitas pessoas – é o típico caso do amor ou ódio. Hoje, ele faz parte de Paris. Dois anos atrás, quis fazer algumas mudanças no prédio. Mas o pessoal do Movimento Histórico não me deixou tocá-lo – disse que ele não pertence a mim, mas à Paris.

Em Roma, o senhor inaugurou o Parco della Musica, um complexo de auditórios. A capital italiana não foi construída em um dia, mas parece que o complexo foi um sucesso imediato...

Piano – Sim, este processo foi bastante rápido. As pessoas adoraram. Elas gostam da piazza, do anfi-teatro, do ambiente. Elas não vão lá apenas para escutar música, mas para passear e se reunir. Tudo depende da maneira como fazemos as maquetes. Da mesma forma como o Centre Beaubourg, fizemos o auditório deste projeto na piazza. Ela é o foco. O mesmo acontece na Marlene-Dietriech-Platze, a pequena praça que projetamos em Berlim.

O senhor constrói obras marcantes em várias partes do mundo. O quão envolvido o senhor deve estar com cada cidade?

Piano – Você poderia escrever uma matéria sobre mim sem me entrevistar, mas quis falar comigo para que o conteúdo tivesse autenticidade. Como arquiteto, é possível fazer um projeto sem conhecer bem o local. Mas eu jamais construí alguma coisa sem antes ter passado bastante tempo na cidade. Lugares contam histórias. Basta calarmos nossas vozes e escutarmos cada tom. Devemos escutar com cuidado, não é algo muito evidente. É como entrar num quarto completamente escuro: precisamos de um minuto para enxergar alguma coisa. Isso é algo que adoro fazer. É a primeira fonte de inspiração.

O New York Times é localizado na Times Square desde 1905. Como trazer harmonia para redação do mais importante jornal do mundo em pleno caos da Times Square?

Piano – O grande desafio deste projeto é construir algo no meio de Manhattan. O projeto de uma redação de jornal ainda é mais instigante do que um escritório comum – ele expressara transparência e luz. A redação ocupa o segundo, terceiro e quarto andar. O resto do prédio, é ocupado por outras empresas. Arranha-céus são herméticos por natureza, quase misteriosos – normalmente são pretos ou muito escuros, porque têm de tapar o sol ou são revestidos por espelhos. Este prédio é feito de vidro transparente e cerâmica, o que permitirá muita entrada de luz. Acho lindo como os prédios em Nova York têm capacidade de mudar de acordo com o clima. Quando olhamos a cidade, do topo do Empire States, Manhattan parece uma floresta – muda constantemente de cor. Depois de uma chuva a cidade fica azulada. Na hora do pôr-do-sol, avermelhada. Esta idéia é metamórfica. Em Nova York é importante ter uma presença que não seja nem arrogante, nem agressiva. Frequentemente, os prédios altos são símbolos de poder – alguns chegam a ser símbolos fálicos. Este prédio não será assim – nos remetera `a sensibilidade.

Alguns arquitetos se preocupam mais com a forma e o material. Outros com as pessoas e o espaço. Como achar o equilíbrio?

Piano – Este equilíbrio é fundamental. É errado pensar arquitetura em termos de forma e material. Também é errado pensar apenas no comportamento das pessoas. A arquitetura é a profissão mais materialista que se pode ter em mente – ao mesmo tempo, é a mais idealista. Como arquitetos, temos de misturar a ética e a estética na medida certa.

O que o senhor acha do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer?

Piano – É um grande mestre. Tem feito grandes coisas. Ele pertence a uma geração diferente da minha, temos diferentes linguagens, mas ele é um grande arquiteto. Tenho um pouco de influência de cada arquiteto, incluindo o Niemeyer.

E qual o seu predileto?

Piano – Meu amado arquiteto é o italiano Filippo Brunelleschi (1377- 1446). Ele era completo: um artista, um arquiteto e um construtor. Desenhava suas próprias ferramentas de construção. Ele não só construiu a cúpula da catedral florentina Santa Maria del Fiore, como a maquinaria necessária para a obra. Um arquiteto não deve ser mais importante do que sua obra. Se isso acontecer, seu trabalho vira um instrumento de sua auto-celebração. Isso é estúpido.

A Itália transborda arte e arquitetura. O quanto isso influenciou o seu trabalho?

Piano – A Itália está na minha pele. Mais precisamente Genova, uma cidade histórica, perto do mar, sempre com paisagens de navios. Passei a juventude nesta cidade. Para uma criança, o porto é um lugar mágico que se carrega para a vida toda.

Quais as obras arquitetônicas que o senhor acredita que a sua geração deixará para o mundo?

Piano – Esta é uma boa questão, mas muito difícil de responder. Não me sinto velho o suficiente para começar a pensar nisso. Ainda estou inteiramente envolvido no dia-a-dia do trabalho. Esta é uma preocupação retórica que um arquiteto nunca deve ter. Não temos de nos preocupar com o que vamos deixar como herança. Devemos nos preocupar com o que fazemos para as pessoas. Amo meu trabalho. Moro muito perto do Centre Beaubourg e amo andar até lá e ver as pessoas curtindo o prédio e a piazza. Minha felicidade não é sobre o lema da eternidade, mas no contentamento das pessoas. Trata-se mais de vida do que de um testemunho para a posteridade.

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Bistrô Eldorado com Catherine Duvignau

Esta semana fiquei sabendo de um programa muito bacana e quero compartilhar com vocês.

Bistrô, de Catherine Duvignau na rádio Eldorado aos domingos.

Com músicas francesas, entrevistas, dicas culturais.

Num dos últimos programas, Catherine entrevista  o Sr Jean Luc Cousty, diretor do Hotel Lutetia, que comemora o seu centenário em Paris. Um projeto,  que faz parte das comemorações, apresenta  quatro fotógrafos contemporâneos que exibem seus trabalhos em  suítes especiais do Hotel.

Entre eles Vik Muniz, com  quinze fotos na suíte que leva seu nome.

Segue link do programa com a entrevista:

http://int.territorioeldorado.limao.com.br/eldorado/audios!getPlayerAudio.action?destaque.idGuidSelect=31BE81B3FDFA49AE8907C5BFD678D5DD

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