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Como encontrar um estilo pra chamar de meu?

Muito se ouve falar sobre moda, tendências e estilo.
Sobre pessoas que tem muito estilo e são reconhecidas por ele.
Costanza Pascolato é um ícone neste quesito, Coco Chanel, Consuelo Blocker, Cris Guerra e outras que fazem parte de minhas referências como exemplos de elegância e bom gosto.

Mas o que diferencia estas mulheres de nós?
O que é este tão falado estilo? Uma qualidade, um talento? Algumas nasceram com ele e outras estão fadadas a não tê-lo?

“Estilo é uma linguagem pessoal onde a moda e a forma como a transformamos fazem parte de uma assinatura que carregamos junto conosco”.

Acabei de ler o livro, Moda, da blogueira Cris Guerra, precursora dos blogs que mostram o look do dia. Para Cris, cada uma pode, com muito treino, com exercícios diários e um espelho de corpo inteiro, encontrar seu estilo e para isto é fundamental se conhecer, observar, arriscar, ousar e ter prazer no processo do aprendizado.

Tom Ford, em uma entrevista diz que detesta quando suas roupas são usadas exatamente como foram vistas na passarela, ele gosta quando somos criativas na hora de usar cada peça apresentada. Quando as usamos “do nosso jeito”, as peças se tornam únicas e acredito que esta é a chave, tornar única uma blusinha qualquer ou uma grande marca.

Para isto não é preciso muito dinheiro, nem grifes famosas no closet e sim descobrir o que me cai bem, o que faz com que eu me sinta confortável e segura, brincar com acessórios, com as cores, com o próprio guarda-roupa, com o cabelo, a maquiagem, o perfume. Tudo se agrega e se funde para definir “o” estilo.

Acho que todas nós conhecemos alguém que não é famosa, não é uma celebridade, mas que está sempre elegante e arrumada, sem importar as etiquetas que sustenta no corpinho. Com certeza esta pessoa encontrou o seu estilo, ela sabe quais são seus pontos positivos e os usa com inteligência, sabe o que lhe cai bem.

Eu gostei muito da forma como o assunto foi abordado pela Cris e acreditei nela!
Estou disposta a descobrir o meu estilo, a me descobrir a cada dia! Sou bem preto e branco, branco e preto e quero dar graça para este basicão. Já separei vários looks e outros que gostei na internet e vou tentar.
Comecei hoje!

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Cartilha sobre o câncer de mama – Prevenir está em suas mãos

Antes de escrever sobre o assunto, pensei: minha vontade no blog é compartilhar arte, impressões, amizades, viagens, receitas, tudo o que faz a vida mais leve, agradável, feliz!
Então falar de câncer?! Quem já passou pela doença ou tem alguém próximo que vive ou viveu a situação sabe que não é fácil, é sofrido. Vou falar de tristeza e dor?

Não, não vou falar sobre a tristeza, mas sobre tudo que eu acredito que pode de alguma forma contribuir para melhorar, prevenir, curar os males do câncer, que com certeza não são somente físicos. Vou escrever, e muito, e sempre!

Conheci Valéria Baraccat Gyy em uma entrevista que já comentei, aqui, no blog. Valéria foi diagnosticada com câncer de mama e desde então vem lutando contra a doença e pensando nas outras mulheres, criando projetos, fazendo parcerias, divulgando a Arte de Viver Bem, Instituto que criou com este nome para trabalhar pela causa.
Visitei a Casa da Mulher, seu mais recente projeto, uma casa decorada por arquitetos renomados, com espaços voltados para melhorar a auto estima das mullheres e recebi a cartilha. Uma delas, são várias editadas com temas que gravitam no universo de como viver melhor, se cuidar, conhecer os direitos e as leis que protegem a mulher com câncer.

Os temas:
Cuide-se e leve uma Vida Saudável e Feliz
Prevenir só Depende de Você
A Atividade Física e as Leis como suas Grandes Aliadas
As Leis como suas Grandes Aliadas

A que eu recebi:
CARTILHA – Câncer de mama, a prevenção está em suas mãos.
Editada pelo Instituto Arte de Viver Bem,também sob direção desta mulher que faz a diferença.
Tem o apoio da Editora Abril para distribuição das cartilhas dentro de revistas femininas do grupo.
Parabéns Valéria pelo trabalho!

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A cereja do meu bolo…

Esta semana quando li o post da Nina Horta com a receita de gaspacho de cerejas, minha cabeça mudou o rumo do assunto e fiquei pensando nas “cerejas” da minha vida.

Sempre ouvi esta expressão,”a cereja do bolo”, como sendo a melhor parte.
E qual a melhor parte da vida? O que faz eu ficar feliz?! Amigos queridos, lugares preferidos, pratos deliciosos, objetos desejados…
A descoberta é diária.

Descobrir esta escultura e esta receita (que talvez eu nunca faça) no post da Nina me deixou feliz!
Parece pouco? Pra mim não.

A escultura( que é também uma fonte) Spoonbridge and Cherry é feita de aço inoxidável, alumínio e pintura automotiva, tem as seguintes dimensões 8,99 x 15,69 x 4,11 m, está localizada em Minneapolis.
Autoria: Claes Oldenburg


Receita de Gazpacho de cereja(do blog da Nina Horta) de Martin Berasategui.
1 kg de tomates maduros
250 g de cerejas com vinte delas separadas para a finalização do prato.
5 gramas de pimentão verde
5 g de cebola
1 dente de alho
55 gramas de farinha de rosca
1 colher de vinagre de sidra ou de xerez
3 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
Sal a gosto
Como fazer:
Tire os caroços das cerejas deixando umas 20 para enfeitar.Corte todos os outros ingredientes em pedaços, coloque numa vasilha, e deixe ficar da noite para o dia, sem juntar o vinagre e o sal.
No dia seguinte bata tudo no processador. Se quiser pedaçuda, pronto, se quiser lisa passe agora por peneira. Junte o vinagre e o sal. Experimente, corrija, junte água se estiver muito grossa.
Deixe gelar por cerca de duas horas, sirva geladíssima e se possível com uma pedra de gelo dentro.
Distribua as 20 cerejas pelos pratos ou taças, com o cabinho e tudo.

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Faz uma pausa e lê este discurso de Saramago

Discurso na Academia Sueca
(ao receber o Prêmio Nobel de Literatura)

José Saramago

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: “José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira”. Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava… No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: “E depois?”. Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: “Não faças caso, em sonhos não há firmeza”.

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

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Guiados pelo rótulo?

Num encontro com o jornalista e crítico de arte  Oscar D’Ambrósio lembramos deste texto escrito por ele e que vale muito uma reflexão, pois cabe em vários aspectos de nossa vida. Logo pensei em compartilhar aqui no blog.

Entre ratos, homens e críticos

Discutir a crítica de arte hoje constitui um desafio, já que nem o público, nem os artistas nem os próprios críticos acreditam que ela exista de fato no Brasil contemporâneo. Para desenvolver essa idéia, vamos nos valer de três auxílios: o filme Ratatouille(2007), de Brad Bird, a experiência do premiado violinista norte-americano Joshua Bell tocando incógnito no metrô de Washington, DC, EUA, e dez caminhos para o crítico do século XXI.

No filme Ratatouille, o protagonista é um rato que, com um olfato privilegiado, sonha em ser um chefe de cozinha. Quem rouba a cena, no entanto, não é o simpático protagonista, mas o personagem Anton Ego, um rigoroso crítico de gastronomia. Seu sobrenome já mostra a sua personalidade.
Ensimesmado, repleto de caras e bocas, degusta criticamente os mais variados pratos. Temido por todos, só consegue rever seus rígidos conceitos e valores ao experimentar uma receita de um prato camponês, o ratatouille, desenvolvido pelo rato – cozinheiro.
Ao sentir aquele sabor, retorna à infância e encontra na simplicidade uma forma de repensar a sua atitude perante a vida, o que inclui a recuperação da capacidade de rir.

Esse mesmo atributo de rir de si mesmo foi desenvolvido pelo violinista Joshua Bell, um dos maiores do mundo.
Ele participou, dia 12 de janeiro último, de uma experiência idealizada pelo jornal Washington Post. Usando boné, calça jeans e camiseta, tocou, durante 43 minutos, um repertório que incluía Bach, entre outros compositores. Das 1.097 pessoas que passaram à frente dele, apenas 27 deixaram dinheiro, num total de US$ 32,00, absurdamente abaixo do cachê dele, cerca de US$ 1 mil por minuto de apresentação.
Se as pessoas soubessem que aquele músico era famoso provavelmente parariam para olhar e, se ele estivesse sendo fotografado ou filmado por câmaras de televisão, certamente lhe dariam mais atenção. Em síntese, o público é cada vez mais levado pelas aparências, pelo rótulo que lê e ouve na mídia, e menos pela sua sensibilidade, pelo que, de fato, ouviu, leu ou escutou.

Porém, se um crítico de alguma instituição reconhecida, dá legitimidade a uma obra de arte, ela geralmente começa a ser aclamado por todos, que macaqueiam as palavras da “voz oficial” detentora do poder que a crítica institucionalizada, principalmente a oriunda das universidades, hoje representa. A voz do crítico, assim, se torna maior do que o ouvido ou a visão do observador.

Nesse contexto, sugiro um decálogo do crítico de arte:

1. Abolir a divisão entre arte e ciência – Ao contrário do nosso mundo marcado por especialistas em especialidades, é desejável, como ocorria no Renascimento, a busca do saber nas mais variadas áreas, não havendo sentido na divisão entre arte e ciência.
2. Acreditar no poder do homem – Ao contrário do homem medieval, que idolatrava Deus, e do tecnológico, que acredita na técnica em si mesma, é essencial valorizar o poder humano de criar, conservar e destruir o mundo e o que nele existe.
3. Tratar a arte como sopro de vida – Além da técnica, ou seja, do saber fazer, o artista a ser valorizado precisa ter vida. Isso significa estar além do virtuosismo, aliando a alma ao talento.
4. Ter contato com os mestres – Seguir um mestre, tanto para o crítico como para o artista, não é sinônimo de perda de liberdade, mas de constituição de uma base sólida para poder voar sozinho.
5. Respeitar quem trabalha por encomenda – O crítico não deve rejeitar em princípio o artista que aceita trabalhar para o mercado. Aceitá-las constitui uma forma de sobrevivência, desde que feita com honestidade intelectual e competência.
6. Planejar é tão importante quanto fazer – Torna-se fundamental acompanhar o trabalho no ateliê do artista. É ali que estão os muitos estudos e esboços – mentais ou concretos –, memórias dos trabalhos passados e matrizes dos presentes e futuros.
7. Observar os cadernos de anotações – Para conhecer um artista, uma das melhores pistas é justamente o caderno de anotações e os desenhos. Lá está a alma que fala e o gesto que comunica uma essência perante a arte e a vida.
8. Devotar-se ao detalhe – O notório saber é deixado de lado em função da mesmice decorada com títulos e quantificações de produção sem uma avaliação qualitativa adequada, que exige devoção à observação plástica dos detalhes.
9. Amar a invenção – Lembrar que o artista digno desse nome mantém viva a capacidade de estar sempre em mutação, combatendo a acomodação, principalmente quando a escola mais formata indivíduos do que os prepara para a vida.
10. Criatividade acima de tudo – Cabe ao crítico perceber o artista enquanto ele não é célebre. Isso exige a humildade de saber reconhecer o grande talento enquanto ainda ele é aparentemente pequeno.

O que é necessário são críticos humanos, capazes de ver na arte uma forma de transcender o cotidiano, não no sentido místico – ou talvez inclusive nele –, mas principalmente no estético e, acima de tudo, existencial. Isso exige humildade, atitude cada vez mais rara no mundo, inclusive – e principalmente – o da crítica.

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP de São Paulo, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil)

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Vale a pena ler


MUDE (Edson Marques)


Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a
velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com
atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama…
Depois, procure dormir em outras camas
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais… leia outros livros.
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.

Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida.
Tente.

Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado… outra marca de sabonete,
outro creme dental…
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos
óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.

E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já
conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena !!! Clarice Lispector

Este poema é de Edson Marques, somente a última frase é de Clarice Lispector, a quem ele deu o devido crédito.

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Eu li.

“O que o amor exige reciprocamente é força plástica. Por isso há no amor, como na arte, tantos esboços gorados, sem a força suficiente para a execução.”

Hugo Von Hofmannsthal ( 1874-1929) Livro dos Amigos

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